22 Novembro 2009

desapego

Então que esse fim de semana foi assim, digamos existencialista. Mais como uma sessão de desapego. O primeiro ritual de passagem foi no sábado, com uma visitinha a um lar que abriga pessoas idosas. Ok que eles estavam limpinhos e bem alimentados, mas sabe o que primeira senhôura pra quem eu arrisquei dar oi me disse? 'Faz cinco anos que minha família não vem me visitar. E eles só vêm de cinco em cinco anos'.

Assim: não bastasse o medo da proximidade da morte que a idade avançada traz, as mil e quatro doenças, proporcionais aos anos de vida, a incapacidade de dar mais do que um passo por hora - e as pessoas precisam, ainda, conviver com a rejeição nesse grau?! Será que o ser humano não vale nada, mesmo?

Assim 2: se hoje, na dita flor da idade, eu praticamente sur-to, tipo, se não me respondem uma mensagem de celular, imagina num caso desses? Qual a previdência contra o abandono, hein?

Depois disso precisei fazer minha pequena parte pra tornar o mundo menos cruel e resolvi repartir o pão com o irmão - roupas e calçados, no caso. Foram-se três sacolas do meu guarda-roupa. Aproveitando a transe, resolvi faxinar t-o-d-o-s os cômodos da casa, retirando sacoladas de quinquilharias e sujeiras mil porta à fora. Não consigo mais contar quantos sacos foram, mas eles estão fazendo sombra pra estacionar praticamente uma scania do outro lado da rua.

Então, com o espírito livre e a decoração natalina devidamente providenciada (comprei uma xícara lin-da de Papai Noel), talvez possa começar a aceitar a ideia de que dezembro está logo ali depois da curva. Mas aí é papo pra outra hora e agora eu tô é afim de degolar aquela espumante que descobri no meio da faxina. Porque é dando que se recebe, né.

19 Novembro 2009

parênteses

( odeio muito quando o óbvio se faz necessário de ser dito. igualmente odeio quando o óbvio não é compreendido. )

14 Novembro 2009

Notas de sábado de manhã

Ontem à noite assisti ao filme District 9. Não curto muito filmes de ficção, mas esse tem um apelo humano diferente em se tratando de filmes de E.T. O resumo da história vocês podem procurar no Google - e a partir disso avaliar se concordam com: nivelando por baixo, somos todos iguais. Em nossa crueldade, nossa frieza, nosso egocentrismo, nossa soberba.

Humanos ou alienígenas, tendemos a validar como correta nossa postura, seja ela qual for, do mesmo modo que a repreendemos e condenamos nos outros - pelo simples fato de ser nos outros. Então a intolerância corre solta e no fim das contas de todo dia a gente esquece de reconhecer que somos todos um grande amontoado de células e partículas que casualmente formaram um bonequinho de Lego interessante - e o que nos diferencia, talvez, seja nossa capacidade de empatia (ou, ainda, nossa dededicação em transformá-la em algo concreto e prático).

Não que Madre Teresa esteja ganhando concorrência, mas quem sabe seja algo que valha a pena treinar.

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Jornalismo entre as 20 profissões que melhor remuneram?! Tudo bem, pode-se estar falando em valores brutos apenas, não na relação custoxbenefício do negócio. Ou tá faltando gente nas redações e tão querendo dourar a pílula ... se conseguirem aí sim, esses justificam os 'altos salários' que recebem.

12 Novembro 2009

off

Pois que então que os ares às vezes exalam um azedo provincianismo - muito menos pelo cenário de vilarejo que cobre o entorno; mais pela banlidade que pinta os contornos das ocasiões.

É como aquela broa que você coloca na boca e, quando percebe, ela desapareceu, deixando a sensação de 'tá, e aí, era só isso?'. A trivialidade aborrece. Por isso que a perna balança na cadeira - tentando tatear o excêntrico nosso de cada dia.

Vem comigo sacudir as folhas. Arrebatamento. Só pra ver quer para antes. Senão, onde fica a graça?


ps.: no 'a pedidos', em resumo, assim: como era esperado, para o bom (uma expectativa superada) e para o mal (a ciência da robótica explica).

05 Novembro 2009

Fama é...

K A S S Y diz (17:01):
sempre que vejo cerveja lembro de ti

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tem coisas que só o msn revela pra você.

03 Novembro 2009

Finde

Falando em horas de um fim de semana, impossível deixar de fazer referência ao momento nonsense, no melhor estilo ópio com a dupla açúcar+gordura trans.

Aqui.

Por isso que o pensamento não linear cresce forte na mente, robusto, com dobrinhas nas pernas e rechonchudas bochechas vermelhas. E tão barulhento quanto um rebento bem nutrido, com as bagas de leite escorrendo pelo canto da boca rosada.

Certo que má alimentação lesiona o cérebro, né?

Sem paz

Talvez parte do desasossego seja por causa do calor infernal que derrete qualquer ânimo e resume a cinzas a maior das boas-vontades em fazer alguma coisa.
Mas boa parcela da inquietação vem em ondas que culminam com a lembrança do seguinte trecho de texto, de procedência questionável, há muito lido e já aqui postado em um dado momento:

"É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? (...) Alguém que não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?

E se a pessoa percebe que sem o caos que ocupa seus dias esses mesmos dias simplesmente não existem? E se a pessoa acorda um dia entendendo que todo o furor era apenas uma forma de maquiar o vazio? E se todo o caminho foi errado? Porque a prioridade pode se relevar oca eventualmente. Os ombros até então genuinamente confortantes podem se transmutar naqueles que dançam ao ritmo do descaso.

A grande agonia é que a gente nunca sabe. É uma aposta eterna, com os dados pra sempre rolando na mesa, e a gente esfregando as mãos, esperando para ver se teve sorte e levou o grande prêmio. As vezes as respostas certas - as certezas - fazem falta. Porque o ponto de interrogação é uma sombra que nem no escuro cessa de perseguir.

29 Outubro 2009

Agora sim

Sabíamos todos que esse dia chegaria. O momento de dizer 'agora sim, chega de palhaçada' (os conhecedores da saga podem pular para o próximo parágrafo. aos demais: agora sim, chega de palhaçada é um mantra que temos entoado desde o segundo em que percebemos ser inevitável o dia da formatura - ou seja - o fim de nosso fairy tail acadêmico, regado à cerveja, café e batata frita, e a transição para a vida adulta, séria e responsável. seguimos a ladainha até hoje, mil anos depois, no entanto).

Pois então que terça-feira nós compramos uma casa. (pausa para a releitura da frase. ok, eu espero, não tem problema). Eu e meu espôso estamos adquirindo um apartamento, que está na planta ainda, para daqui a três anos, quando a construção do prédio for concluída, morarmos juntos nele. Então que eu terei uma casa para chamar de minha. Então que nós teremos uma casa para chamar de nossa.

E parece que foi outro dia que eu peguei meu carro, saí de Caxias do Sul e passei a primeira noite oficialmente 'saída de casa'. No silêncio, eu chorei. Não pela apreensão do primeiro dia de trabalho, que seria na manhã seguinte, mas porque, daquele momento em diante, eu trocava o conforto da barra da saia da mãe pelo peso da pressão de ter eu mesma que fazer minha vida dar certo.

Daí decorreram uma série de anos com mochila nas costas, peregrinando de casa em casa, e de térmica na mão, sobrevivendo a uma noite de trabalho em claro após a outra. Não que esse cenário vá mudar em um futuro breve, mas eu tenho uma perspectiva real de que. Acho que é a primeira vez na vida que eu trabalho com alguma ideia de planejamento que não seja completamente abstrata e meramente intencional.

E se não sei muito bem como assimilar esse novo contexto, percebo uma obrigatoriedade em amadurecer. Na contramão, um certo temor do avental da burocracia que vestem as pessoas estabilizadas. Porque o bege não combina, né. Da lista de atributos que já não tem a simpatia e a sociabilidade, se for riscar a excentricidade também complica né.

Ou talvez o 'agora sim, chega de palhaçada' só vá ganhar um novo endereço.

25 Outubro 2009

Felicidade

Previa que seria uma noite de excessos etílicos. Não porque esse seja um hábito ou porque meus convivas sejam barra-pesada em termos de copo. Mas, sabe, descontrair é preciso. E todo mundo sabe que meia dúzia de garrafas de espumante são a boa da vez pra dar aquela extravasada, liberar e jogar tudo para o ar (é, às vezes eles acontecem).

Então que entre uma tacinha e outra veio a revelação. Tão simples, tão óbevea e bem na nossa cara, o tempo todo. A fórmula mágica dos dias de sol nas férias, do cheiro de bolo em casa, de um abraço apertado, de uma nota de R$ 50 descoberta no bolso de um casaco pós-inverno - enfim, entenderam o sentido, né.

A receita era aquela. E era preciso eternizá-la com urgência. Tanta era a pressa que, na hora de pegar a caneta, até a escolha da mão saiu invertida. Nada, entretanto, que impedisse o exercício da redação - e assim começou o registro de uma nova era cor-de-rosa e pontuada por smiles e com sabor de confetes de chocolate.

Mas, como o diabo ensina a fazer a panela e não a tampa, veio o elemento-surpresa capaz de colocar tudo a perder: a provocação. 'Tá feio? Escreve melhor, então." Aí a guerrilha começou.

E foi assim que a 'Receita da Felicidade' acabou antes mesmo de propriamente começar, no sinal de dois pontos, rascunhada em um guardanapo molhado de bebida, jogada no fundo de uma bolsa. Incompleta. Uma incógnita. Um mistério ainda por desvendar. Uma missão ninja, quem sabe para um próximo fim de semana.

19 Outubro 2009

and the winner is

Esse é pra mim, pela minha ultra mega super desenvolvida capacidade de colocar meus ovinhos na cesta errada. Porque é assim: se eu vejo lá ao longe uma possibilidade que sabidamente não vai dar certo e é ba-ta-ta. Lá vou eu, em um salto triplo ornamental, mergulhando de cabeça naquilo que é fria anunciada e tchibuuuum - me espatifo no chão. Pra não sair das metáforas aquáticas, precisaria teorizar um pouco sobre essa tendência de embarcar em canoas furadas - especialmente nos casos em que sei que não vou dar pé.

Tenho esse lado, talvez meio masoquista, quem sabe, de investir naquilo que não vai dar retorno. Parece uma compulsividade em dar cabeçadas. Repetir os erros não é nada charmoso. É como se sofresse uma atração gravitacional pelo desequilíbrio - claro, ficando o déficit pra mim, obeveamente. E é assim que eu venho disperdiçando tempo, atenção e esforço em sistemáticas problemáticas. Livre arbítrio. É. E odeio saber.

Como sempre tem uma frase feita pra aliviar a pressão de descobrir uma boa conclusão, vai lá: é preciso aprender a não tratar como primeira opção aqueles que tem enxergam sempre em segundo plano.